sábado, 28 de abril de 2012


tirei os sapatos e os postei logo ao meu lado.
senti a terra sob meus pés, fechei os olhos e me lembrei do trajeto.
enfim, poderia descansar. respirei fundo, olhei para o céu, que tinha algumas nuvens.
comecei a encontrar formas, vi rostos, bichos, tudo era tão irreal.
depois de um tempo, olhei pra frente, vi o horizonte, infinito.
assim como eu pensava que poderia ser.
mas, nós, seres humanos, somos previsíveis e finitos.
infinitos, somente nossos pensamentos e sonhos, meu alimento.
me deitei na grama, olhei para o céu.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

de tudo que podemos prever. 
de tudo que podemos esperar. 
de todas as apostas, a morte é o único acerto.
pouco me importa o resto. o caos está me deixando oca. ou louca. tanto faz.
não estou sentindo nada, absolutamente. estou uma bagunça, literalmente. vazia.
estou cansada, sinto que me desfaço. estou perdendo significado. vivendo no piloto automático.
preciso parar. respirar. analisar. e ver se o caminho é este mesmo. mas do jeito que está, ainda vejo que pode piorar. o que devo fazer?
esperar o sol se por e nascer novamente
se por e nascer novamente
se por.... talvez renascerei.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

depois de um tempo então, percebo que estou no topo da árvore, observando, do alto, todo aquele esplendor.
tudo era tão lindo. pessoas felizes passavam lá embaixo, sem ao menos perceber o que estava acontendo.
desci correndo e pedi abrigo. todos se esconderam, não saberei aqui, dizer o motivo. podem ser vários.
mas naquele momento, parte de mim havia ido embora. era nova.
pode ser que estivesse errada, mas não estava. a sensação já era outra.
o sorriso era diferente. o toque. o abraço. algo perdeu-se. tomara que se transforme.
diante do espelho, percebo pequenas rugas, pequenos recortes. tudo passou tão rápido e ao mesmo tempo
tão lentamente. preciso parar e analisar o trajeto. aconteceu muita coisa. perdi muito coisa. lamentei muitas coisas. o tempo é traiçoeiro. ele é o único que permanece.
de repente, volto ao topo da árvore e, continuo observando aquelas mesmas pessoas. com seus mesmos sorrisos e vestindo as mesmas roupas, indo aos mesmos lugares, falando as mesmas besteiras. parece que o tempo parou para todas elas. acomodaram-se no seu mundo.
quando as vi pela primeira vez, pensei que fossem diferentes. mas não, são todas iguais, com suas vidinhas.
mas todas estampam na face a falsa moralidade. a falsa alegria. que triste. viver de arranjo.
é impossível fugir disso. será? cada um saberá responder o que de verdade terá no sorriso estampado e no beijo roubado, lotado de falso amor.
continuarei aqui, no conforto do topo da árvore. me escondendo dos demais, e assistindo suas ínfimas vidas, do meu inócuo esconderijo: eu mesma.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

mudar de assunto.
mudar os problemas.
mudar de ar.
mudar.
preciso viver novas experiências.
cansei do papo furado, que não leva a lugar algum.
sinto falta de coisas que ainda não vi.
sinto falta de coisas que não fiz.
deveria ter vivido, sim. dito o não algumas vezes.
não. palavra sábia. o sim é muito fácil. 
so easy. queria o oposto.
mas, ao mesmo tempo, não faria nada ao contrário.
em todo o caso, preciso mudar.
nem que seja pra lua. longe de tudo.
mudaria pra marte, quem sabe?
renasceria em outro lugar, onde devesse refazer, recomeçar.
nada seria igual, além de eu mesma.
mudaria, enfim. ou me tornaria apenas o que sou.
ou o que sempre desejei: viver em meus sonhos.
deixe-me com minhas ilusões.
mude-se.

terça-feira, 24 de abril de 2012

pensar no que foi e no que será. no que está por vir. o porvir.
vivo no mundo da lua. contando o tempo, que não passa.
passam voando por mim as folhas secas, que deixaram para trás, suas velhas casas.
cascas. é onde estou. como sou. fechada, num vazio imenso.
me perco em pensamentos confusos, muitas vezes obscuros.
tenho uma falsa ideia de felicidade. o que seria isso?
dura um segundo, não mais que isso. e muda um dia. uma vida.
buscar uma vida inteira, por um segundo de satisfação.
a monotonia da vida, resolve-se num estado imaginário.
"você peca por pensar pouco em mim.
você peca por se achar tão importante assim.
há tempos sofro por sua fala, e engulo seco tentando mostrar naturalidade.
estou farta, mas não tem volta.
o que está feito, está feito.
o compromisso é um só, mas você parece não perceber.
tente olhar pra frente, em meus olhos, e talvez assim consiga se ver de forma mais clara.
de dentro deste egoísmo que te consome, e me consome também.
estamos sós, a sós". 



terça-feira, 17 de abril de 2012

pensamento perdido no tempo
soprando no vento, que está logo ali.
a chuva que cai fina lá fora, me acalenta
me acalma. estou sorrindo.
fecho os olhos e sinto a brisa.
aos poucos a chuva se vai, mas permanece o frio.
apesar do sol.

prefiro fechar os olhos e olhar pra dentro de mim.
me esconder no abrigo que encontrei.
descobrir meus próprios mistérios.
enxergar meus próprios erros.
ser feliz, enfim.
"Todas as minhas músicas são um pouco tristes e cheias de drama porque, quando fico feliz, não tenho tempo de escrever canções, sabe?" Adele.

eu adapto isso a mim, inteiramente. é isso. só isso.
escrevo sobre tristeza, melancolia, sobre dor. porque é o que me inspira.
já disse isso inúmeras vezes. a felicidade não me inspira, pois quando estou feliz, só vivo.
eu compartilho aquele momento com outras pessoas, se for escrever sobre aquilo, algo melancólico surgirá,
e a felicidade terá sido uma grande ilusão.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

sim, as inspirações.
sem elas, o que são as palavras?
nada. 
e sem as palavras, o que somos nós?
um vazio imenso. 
as palavras, muitas vezes, me preechem.
através delas viajo por lugares que nunca imaginei.
outra coisa que me faz viajar é o pensamento.
no meu, eu me perco e me encontro milhões de vezes ao dia.
vivo histórias incríveis, choro, sorrio, canto, danço.. enfim. 
é tudo perfeito. dentro de mim, lotada de imperfeições.

  

quarta-feira, 11 de abril de 2012

o que ouvi hoje foi o mesmo de sempre.
tudo está errado, tudo está ruim.
o que fazer? já disse.
olho para o nada, esperando resposta.
vivo entre as nuvens, flutuando no tempo.
 não sei mais o que dizer, sinceramente.
nem sei mais o que escuto. aliás, sei.
sempre sei.
fico calada.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

este vazio que se faz presente, te alcaçará onde tu fores.
perdido na imesidão de tua alma, verás o que, ao certo, cabe a ti.
entre as veias sujas, deste rio que percorre o corpo,
foge abrupta a dor do que passou.
permanece, enfim, o que tu és.

terça-feira, 3 de abril de 2012

desci os degraus. estava escuro.
fui devagar, tentando encontrar uma referência, mas não consegui.
continuei indo, sem olhar para traz, entrei num beco úmido.
não entendi bem o que ali havia.
ouvi uma música ao longe. tentei me guiar por ela. deu certo.
andei em direção ao som e encontrei várias pessoas, perdidas no tempo.
que fizeram parte de mim, mas que sumiram sem dar explicações.
não fazem falta, porém, fizeram o que sou hoje.
eu sou os outros, pedaços de julgamentos. a escada que desci era minha alma.
estou dentro de mim. olhando bem nos olhos dos meus segredos.
face a face comigo mesma, naqueles momentos em que me deixei levar por todo o resto.
agora me vejo em cacos. minha cabeça dói, assim como meu coração.
estava a beira de um colapso. foi quando, mais um vez, ouvi aquela velha canção e olhei nos olhos daquelas
velhas pessoas. lembrarei do que era, do que pensava que seria e do que me tornei.
o que faltava era a liberdade, aqui reconstituida.
consegui sair do beco escuro. subi as escadas e reecontrei tudo aquilo que eu desconhecia, ou que estava perdido, em algum lugar de minhas entranhas. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

abri meus olhos e percebi que estava aqui.
exatamente aqui. e, o que farei agora?
pensarei. pensarei em tudo.
olhei para o lado e peguei mais uma xícara de chá.
fui até a janela, olhei o movimento, a chuva que caía, o vento que soprava.
e de repente um barulho. corri até meu quarto. eram só meus pansamentos.
acendi o último cigarro.
olhei mais uma vez a janela. tomei um banho. saí descalça.
peguei a bolsa. parei no centro. peguei um táxi e corri.
só agora percebi onde estou.
não há como parar. não há como voltar.
fecharei novamente os olhos. quem sabe acordarei em outro tempo.
outro lugar, outro momento, outra vida.
outra de mim não teria jeito.
acordei. foram só minhas loucuras.
gritando mais uma vez em meus ouvidos cegos.